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Na USP, Henrique Lino viu lesões no joelho com um exame que custa uma fração da ressonância
Henrique Augusto Lino queria tornar a avaliação da cartilagem mais acessível. No Hospital das Clínicas da USP, fez o joelho se mover durante o ultrassom e comparou o método com a ressonância em 82 pacientes.

O problema estava escondido atrás da patela
A cartilagem que amortece o encontro entre a patela e o fêmur pode se desgastar antes que o paciente precise de uma cirurgia. Para avaliar a lesão, o médico precisa enxergar onde ela está e qual é sua extensão. A ressonância magnética responde bem a essa pergunta. Henrique Augusto Lino queria conseguir uma primeira avaliação com um exame mais acessível.
Henrique Augusto Lino, radiologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, partiu desse intervalo entre a necessidade de enxergar e a possibilidade de pagar pelo exame. Ele procurou uma forma de fazer a triagem com um equipamento mais acessível, presente em postos de saúde e em cidades menores. A dificuldade estava em uma região específica: quando o joelho fica dobrado a 90 graus, a patela cobre a tróclea femoral e impede que o ultrassom veja a cartilagem com clareza.
A solução foi fazer o exame acompanhar o movimento
A virada de Lino foi tratar a posição do joelho como parte do exame. O paciente começa deitado com a perna estendida. Em seguida, o radiologista faz a flexão gradualmente, passando por 0, 30, 90 e 120 graus. A cada posição, a patela muda de lugar em relação ao fêmur. Isso abre janelas acima e abaixo do osso e permite que o transdutor focalize a tróclea, o trilho de cartilagem por onde a patela desliza.
O nome técnico é ultrassonografia dinâmica, mas a ideia pode ser entendida pelo que ela faz: em vez de observar uma articulação parada, o exame acompanha a mecânica que produz a dor. O método também permite classificar a lesão e medir a espessura média da cartilagem. Essa gradação ajuda a seguir a piora da artrose ao longo do tempo, sem reservar toda investigação para o momento em que a cirurgia já aparece como única saída.
Pensando nesse aspecto, eu tentei procurar um substitutivo que fosse escalável, para conseguirmos pelo menos fazer uma triagem desses pacientes e adiantar o tratamento.
O resultado já foi medido
O estudo liderado por Henrique Lino foi realizado no Hospital das Clínicas com 82 pacientes que tinham suspeita de lesão na cartilagem e indicação para fazer uma ressonância do joelho. A equipe realizou os dois exames e comparou o que cada um mostrava. O grupo de pesquisa avaliou tanto a presença da lesão quanto o seu grau, usando uma classificação que vai de ausência de alteração a perda mais extensa da cartilagem.
No estudo concluído com 82 pacientes do Hospital das Clínicas, o método de Henrique Augusto Lino apresentou sensibilidade e especificidade em torno de 90% em comparação com a ressonância magnética. Em termos simples, dentro daquele grupo de triagem, o ultrassom identificaria cerca de 90 em cada 100 pacientes que tinham a lesão. A especificidade mede o movimento complementar: reconhecer como negativos os pacientes que não apresentavam o problema.
O número ganha outra dimensão quando entra o custo. Segundo Lino, o ultrassom usado na abordagem custa de 5% a 10% do valor da ressonância, isto é, entre um vigésimo e um décimo do preço do exame usado como comparação. Dois avaliadores que analisaram as mesmas imagens tiveram concordância parecida. A tese que reuniu o trabalho teve orientação do professor da FMUSP Paulo Victor Partezani Helito. Esses resultados foram obtidos na comparação experimental do Hospital das Clínicas.
A próxima prova será fora do hospital de referência
Depois da comparação no Hospital das Clínicas, o próximo passo é verificar o desempenho na atenção primária, em uma população mais ampla. Ali, a diversidade de quadros e a experiência dos operadores podem mudar. Os resultados foram reunidos na tese de Lino, e o artigo científico encaminhado a um periódico estava em avaliação quando a pesquisa foi divulgada.
O que Henrique Lino já entregou é uma forma concreta de tirar o movimento do joelho da margem do exame e colocá-lo no centro do diagnóstico. Se a validação em ambulatórios confirmar o desempenho observado no HC, o método poderá ajudar a decidir quem precisa da ressonância e quem pode começar a ser acompanhado com um exame mais acessível.
Fontes
- Ultrassom com joelho em movimento pode substituir ressonância para diagnosticar lesões na cartilagem · Jornal da USP
- Sonography: a sensitive and specific method for detecting trochlear cartilage lesions · Journal of Medical Ultrasonics via PubMed Central
- Inrad – Pós-Graduação · Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
- Henrique Augusto Lino · Escavador, perfil público informado pelo pesquisador


