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Sem inseticida e com peças descartadas, estudantes do IFPA fizeram uma armadilha de R$ 20 para mosquitos

Mosquitos apareciam nas salas, corredores e áreas de convivência do Campus Marabá do IFPA, na região de Carajás, no Pará. Cinco estudantes de Controle Ambiental responderam com uma armadilha que combina luz e ventilação, reaproveita materiais descartados e custa cerca de R$ 20 por unidade. Nos testes, eles compararam cores de LED, contaram capturas por hora e identificaram Aedes e Culex em laboratório.

Publicado em 21 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Mosquito sobre a pele humana, em fotografia contextual do acervo USDA
Foto: USDA / Wikimedia Commons (Domínio público)

O problema estava dentro do campus

No Campus Marabá Industrial do Instituto Federal do Pará, mosquitos apareciam em salas, corredores e áreas de convivência. A mesma situação chegava às casas dos estudantes e às comunidades próximas, onde água parada, resíduos e saneamento precário ampliavam o problema. A observação deu ao grupo um ponto de partida concreto para a investigação.

Wilian Saraiva Silva, Cleiton Santos Costa, Lucyellen Carvalho Neres, Maria Clara de Souza Lima e Yane Katlen da Silva Lima cursavam o técnico integrado ao Ensino Médio em Controle Ambiental. Orientados por Riguel Feltrin Contente, eles passaram a pesquisar uma forma de capturar os insetos no próprio território.

Uma armadilha feita com o que já existia

O grupo construiu o EcoLuz Trap com latas, fios, fontes, LEDs, placas simples e microventiladores de 12 volts. O mecanismo combina a iluminação, que atrai os insetos, com a ventilação, que ajuda a capturá-los. O desenho evita inseticidas e dá uso a materiais que poderiam ser descartados.

O custo estimado ficou em cerca de R$ 20 por unidade, aproximadamente 80% abaixo do valor de modelos comerciais usado como referência pela equipe. A escolha dos materiais, portanto, responde às duas condições do problema: capturar mosquitos sem adicionar produto químico e manter a solução acessível para a escola e seu entorno.

Os estudantes compararam as peças antes de ajustar o protótipo

A armadilha não foi tratada como um objeto pronto na primeira montagem. Nos testes, os estudantes compararam LEDs azuis, roxos ou UV, verdes e vermelhos. Também registraram quantos insetos eram capturados por hora, junto com data, local e tempo de funcionamento de cada armadilha.

Os exemplares coletados seguiram para observação em laboratório. Entre eles estavam mosquitos dos gêneros Aedes e Culex. Os dados levaram a ajustes nos componentes, na segurança elétrica, na montagem e na manutenção. A equipe também organizou oficinas para ensinar à comunidade como montar, usar e manter as armadilhas.

Do trabalho de formação ao uso no campus

O projeto reuniu diagnóstico, desenho técnico, construção, registro, análise e identificação dos insetos. Cada etapa ficou ligada a uma decisão verificável: qual luz testar, quanto capturar por hora, como revisar a parte elétrica e como manter o equipamento funcionando. A formação técnica aparece no caminho percorrido pelo artefato, e não apenas no nome do curso.

O EcoLuz Trap já está sendo usado na unidade do IFPA na região de Carajás. A experiência também gerou cartilha, diário de bordo, vídeos e oficinas. A pesquisa publicada sobre armadilhas luminosas mostra por que a comparação da fonte de luz é uma decisão de projeto, mas os números desse estudo pertencem às condições do trabalho científico, não aos testes do IFPA.

Uma resposta local que pode ser repetida

O resultado alcançado pelos estudantes é delimitado e concreto: uma armadilha de baixo custo, sem inseticida, construída com componentes reaproveitados, testada com diferentes cores de LED, ajustada a partir de registros e colocada em uso no campus. A identificação de Aedes e Culex mostrou que o protótipo capturou os gêneros que motivaram a investigação.

Em Marabá, o equipamento continua ligado a uma prática de formação. A escola ganhou uma ferramenta que pode ser montada, mantida e explicada pelos próprios alunos, enquanto o problema observado nos corredores virou uma rotina de teste e monitoramento ambiental.

Fontes

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