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O rejeito de manganês virou parte de uma pilha e ligou uma calculadora no IFMS

Fabio Andres Garcia Flores, Felipe Ogaya do Amaral e Julia Ramos Wiesel prepararam o material descartado pela mineração em Corumbá. A pilha experimental chegou a 1,27 V e alimentou uma calculadora.

Publicado em 3 de novembro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Amostra de minério de manganês fotografada em uma exposição mineral
Foto: Thamizhpparithi Maari / Wikimedia Commons (Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International (CC BY-SA 4.0))

Em Corumbá, o rejeito ganhou uma função elétrica

Entre 17 e 20 de março de 2026, a Inova USP, no campus da Universidade de São Paulo, recebeu a FEBRACE 2026, uma mostra anunciada com 297 projetos finalistas de estudantes do ensino básico e técnico de todas as regiões do país. Um deles levava para a feira um problema ligado ao território de Corumbá, no Mato Grosso do Sul: o que fazer com o rejeito de minério de manganês.

Fabio Andres Garcia Flores, Felipe Ogaya do Amaral e Julia Ramos Wiesel, estudantes do IFMS Campus Corumbá, levaram esse material para a bancada. A equipe tentou dar ao pó descartado uma função elétrica: participar de uma pilha capaz de alimentar um aparelho.

O obstáculo era fazer o pó participar da reação

O rejeito contém partículas de diferentes tamanhos e impurezas. Para incorporá-lo à montagem, os estudantes precisaram quebrar o material, separar os grãos e tentar retirar parte dessas impurezas. A preparação ligava duas etapas diferentes do projeto: o resíduo que sai da mineração e a mistura que entra na pilha.

O dióxido de manganês já participa de pilhas comerciais zinco-carbono, nos eletrodos que recebem os elétrons durante a descarga. Isso deu ao grupo um caminho para reaproveitar o rejeito: preparar uma fonte de manganês para esse tipo de montagem.

A equipe preparou o material antes de testar

A preparação começou com britagem, peneiramento e lavagem. Depois da purificação, a equipe acrescentou solução com sais de amônio e zinco, misturou grafite em pó e montou uma pilha tamanho D, o formato grande usado em aparelhos como lanternas.

A purificação empregou ácido clorídrico e ácido oxálico para retirar impurezas, como o ferro. A mistura preparada precisava permitir a condução dentro da célula. Só depois de reunir os materiais e conectar seus terminais seria possível medir a tensão e testar o funcionamento de um aparelho.

A pilha chegou a 1,27 V e ligou uma calculadora

O protótipo desenvolvido apresentou diferença de potencial de 1,27 V e permitiu o funcionamento de uma calculadora. Para situar a medida, uma pilha comercial zinco-carbono tamanho D, como a R20 da Panasonic, tem tensão nominal de 1,5 V. O protótipo permanece experimental.

A equipe usou a montagem de Leclanché, a mesma família das pilhas secas comuns. A diferença de potencial funciona como um desnível: quando o circuito é fechado, ela favorece o movimento de cargas que faz o aparelho funcionar. É a tensão, medida em volts; a capacidade de manter esse funcionamento depende também da composição e da quantidade de material que participa das reações.

A próxima etapa é saber quanto manganês ficou no material

O próximo trabalho de bancada é caracterizar o material depois da purificação. A fluorescência de raios X identifica os elementos presentes; a difração de raios X ajuda a reconhecer como eles se organizam nas fases cristalinas. Com essas análises, a equipe poderá verificar o teor de manganês das amostras tratadas.

Os estudantes buscam aumentar a presença de dióxido de manganês na mistura para melhorar o funcionamento da pilha. A calculadora já forneceu o primeiro teste funcional; as amostras preparadas agora abrem o caminho para relacionar a composição do rejeito tratado à resposta elétrica da célula.

Principais pontos

  • Fabio Andres Garcia Flores, Felipe Ogaya do Amaral e Julia Ramos Wiesel, do IFMS Campus Corumbá, prepararam o rejeito, montaram a célula e testaram a pilha.
  • A pilha experimental apresentou 1,27 V e ligou uma calculadora, resultado observado em um protótipo de pequena escala.
  • A equipe prepara análises para caracterizar as amostras purificadas e relacionar seu teor de manganês ao funcionamento da pilha.

Fontes

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