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Estudantes de Campinas localizaram objetos na escola com precisão de uma régua

Depois do sumiço de um notebook, alunos da ETEC Bento Quirino trocaram uma localização instável com Bluetooth por rádio de banda ultralarga. O protótipo tem precisão aproximada de 30 centímetros; a equipe prepara a validação em diferentes espaços da escola.

Publicado em 29 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Ilustração esquemática de uma etiqueta de rádio trocando sinais com âncoras fixas e enviando a posição para uma planta digital.
Ilustração: Brazilian Engineering / ilustração gerada por IA (Criação original gerada para uso editorial de Brazilian Engineering)

Um notebook sumiu, e a escola virou laboratório

Em 2024, um notebook desapareceu na ETEC Bento Quirino, em Campinas (SP). Alunos e professores começaram a discutir como encontrar equipamentos dentro do prédio. A investigação deu origem ao OWL, um sistema que mostra a posição dos objetos sobre a planta do ambiente.

Estudantes do curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas construíram o protótipo com orientação de Marcelus Guirardello. O OWL tem precisão aproximada de 30 centímetros, o comprimento de uma régua escolar.

O Bluetooth errava metros

A primeira tentativa estimava a posição do objeto pela intensidade de um sinal Bluetooth. Paredes, móveis e estruturas metálicas interferiam na leitura: o computador indicava lugares diferentes para um equipamento que permanecia parado.

O GPS depende dos sinais enviados por satélites, que funcionam melhor quando o receptor tem uma passagem livre até o céu. Dentro de um prédio, a estrutura pode obstruir ou distorcer essa comunicação. Os sinais de rádio entre dispositivos próximos também podem refletir nas superfícies e chegar por caminhos diferentes; paredes e objetos metálicos alteram a intensidade recebida. Medir essa intensidade como se ela dependesse apenas da distância produzia as posições instáveis observadas no Bluetooth.

Uma hora o objeto aparecia cerca de um metro para a esquerda; pouco depois, surgia cinco metros à frente, sem ter saído do lugar
— Marcelus Guirardello · professor orientador do projeto

Da etiqueta à planta do prédio

Os estudantes pesquisaram outras formas de medir a localização e chegaram à UWB, sigla em inglês para banda ultralarga. Essa tecnologia usa a ida e a volta de sinais de rádio entre um transmissor e um receptor para medir distâncias. Um trajeto mais curto leva menos tempo; um trajeto mais longo leva mais.

Pontos de referência fixos, chamados âncoras, são colocados em posições conhecidas. Uma etiqueta presa ao equipamento troca sinais com essas referências. A posição é encontrada combinando as distâncias, como quando se indica um lugar pelas distâncias até vários pontos fixos de um bairro.

O protótipo combina microcontroladores ESP32, etiquetas móveis, âncoras fixas e tecnologia de banda ultralarga (UWB) para calcular a posição dos equipamentos monitorados. Os microcontroladores executam programas que coordenam os componentes da montagem. Os alunos desenvolveram uma interface web que coloca o objeto sobre a planta do ambiente e permite acompanhar sua movimentação.

Para construir a montagem, a equipe usou as férias para estudar a tecnologia e adquirir os componentes. Radiofrequência, cálculo de posições e sincronização temporal passaram a fazer parte da investigação, junto do desenvolvimento da plataforma.

A equipe prepara novos testes na escola

Em 16 de outubro de 2026, o OWL entrou entre os dez finalistas do Solve for Tomorrow Brasil. Depois de sete semanas de mentoria, os estudantes avançaram para uma nova etapa de aperfeiçoamento do protótipo.

A equipe vai instalar pontos fixos de referência em diferentes áreas da ETEC Bento Quirino para acompanhar equipamentos nesses ambientes. Os próximos ensaios levarão a montagem para espaços da escola, enquanto os alunos continuam o desenvolvimento da plataforma de visualização.

Principais pontos

  • Estudantes da ETEC Bento Quirino, em Campinas, construíram o OWL com orientação de Marcelus Guirardello para rastrear equipamentos em ambientes internos.
  • O protótipo usa etiquetas e âncoras de rádio UWB e tem precisão aproximada de 30 centímetros, frente à tentativa Bluetooth que oscilava entre posições separadas por metros.
  • O OWL entrou entre os dez finalistas do Solve for Tomorrow em 16 de outubro de 2026 e segue para aperfeiçoamento e testes nos espaços da ETEC.

Fontes

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