Engenharia Brasileira em Ação

O combustível de avião feito no Rio ganhou uma conta de carbono 23,8% menor

A Petrobras reconheceu na produção da Reduc a contribuição do hidrogênio de uma etapa do refino. A mudança foi incorporada à recertificação do combustível de óleo de milho em outubro.

Publicado em 29 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Tanque de armazenamento de SAF na Refinaria Duque de Caxias (Reduc)
Foto: Francisco de Souza / Petrobras (Uso editorial autorizado pela Petrobras)

Um insumo usado dentro da refinaria mudou a conta de carbono do combustível de avião produzido pela Petrobras no Rio de Janeiro. O hidrogênio de uma etapa do próprio refino passou a entrar na avaliação do combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF. A intensidade de carbono certificada do produto feito com óleo de milho ficou 23,8% menor que no cálculo anterior.

Na primeira quinzena de outubro de 2026, a Refinaria Duque de Caxias, a Reduc, obteve a recertificação internacional do produto. A unidade brasileira teve reconhecidas melhorias na gestão das fontes de hidrogênio usadas na produção. O resultado chegou ao combustível por um caminho que começa antes do abastecimento do avião: a fabricação também entra em sua pegada de carbono.

O óleo muda de forma antes de chegar à turbina

O SAF da Petrobras reúne querosene de aviação convencional e uma fração renovável. Na Reduc, essa parte renovável pode vir de óleo de milho. Para chegar a um combustível com comportamento químico compatível com o querosene, o óleo passa por uma transformação industrial junto da matéria-prima convencional. Esse processamento conjunto é chamado de coprocessamento.

A transformação acontece em unidades de hidrotratamento da refinaria. Ali, as matérias-primas reagem com hidrogênio, com a ajuda de catalisadores, substâncias que favorecem as reações. As cadeias de carbono dos óleos vegetais são modificadas, formando a fração renovável que vai integrar o combustível de aviação. O hidrogênio participa dessa mudança química.

Isso dá importância à origem do insumo. O combustível leva consigo emissões associadas ao que foi necessário para fabricá-lo. Como o preço de um ingrediente entra no custo de uma receita, a pegada de um insumo entra na conta do produto final. A matéria-prima renovável e o processo usado para transformá-la fazem parte da mesma avaliação.

O hidrogênio do refino passou a entrar na avaliação

A atualização da Reduc considerou a contribuição do hidrogênio proveniente da reforma catalítica de nafta, uma etapa do refino. Essa fonte de hidrogênio tem menor intensidade de carbono e é utilizada no processo produtivo. Ao reconhecer sua participação, a avaliação do insumo mudou, e a diferença se refletiu no desempenho certificado do SAF.

A intensidade de carbono do hidrogênio empregado na produção caiu 29%. Esse é o resultado da atualização para o insumo; o percentual do combustível corresponde ao efeito dessa contribuição no conjunto da produção de SAF de óleo de milho. A referência é o mesmo produto antes e depois da atualização reconhecida na recertificação.

Intensidade de carbono relaciona as emissões associadas à produção à energia entregue pelo combustível. Por isso, a origem e a participação dos insumos importam. Na Reduc, a mudança ocorreu dentro de uma operação de refino existente e foi reconhecida no sistema de avaliação que acompanha o combustível até sua comercialização.

A certificação acompanha o caminho do combustível

A recertificação foi realizada no sistema ISCC CORSIA, reconhecido pela Organização da Aviação Civil Internacional. Ele aplica critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e avaliação de ciclo de vida aos combustíveis elegíveis. A rastreabilidade permite acompanhar a origem das matérias-primas e o percurso dos materiais pela cadeia de produção.

O sistema já incorpora metodologia para calcular, verificar e acompanhar as emissões ao longo do ciclo de vida. Para fornecedores e companhias aéreas, o produto chega com uma característica ambiental reconhecida, além das especificações químicas e de desempenho necessárias para funcionar nas turbinas.

O produto usa os tanques e as turbinas existentes

O SAF produzido pela Petrobras mantém compatibilidade com o querosene de aviação e com a infraestrutura logística existente. Pode usar os sistemas de armazenamento, transporte e abastecimento já empregados pelo combustível convencional. As aeronaves também preservam suas turbinas e seus equipamentos de alimentação.

Esse encaixe importa para levar a solução industrial para fora da refinaria. O combustível pode seguir pela cadeia de abastecimento que conecta produção, armazenamento e aeroportos. A Petrobras já iniciou a produção do SAF e prevê ampliar a oferta comercial acompanhando a regulamentação do setor e a demanda da aviação.

Na Reduc, o resultado de outubro já está reconhecido na recertificação do produto. O tanque de SAF permanece ligado à infraestrutura de uma refinaria em operação; é por essa cadeia existente que o combustível produzido com a fração renovável pode chegar ao abastecimento de aeronaves.

Fontes

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