História e Legado

O avião que deu origem à Embraer vendeu quase metade da produção ao exterior

Para atender ao transporte regional civil e militar, a equipe brasileira desenvolveu o Bandeirante em São José dos Campos. A criação da Embraer permitiu fabricar o avião em série: 245 das 498 unidades foram vendidas para outros países.

Publicado em 29 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Avião Embraer EMB-110 Bandeirante branco e azul em uma pista, com montanhas ao fundo
Foto: Neoreich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0 International (a página também oferece GFDL e versões anteriores de CC BY-SA))

Em 22 de outubro de 1968, o protótipo voou em São José dos Campos

Em 22 de outubro de 1968, em São José dos Campos (SP), a equipe do Centro Técnico de Aeronáutica realizou o primeiro voo teste do protótipo de um avião regional. Ozires Silva era o engenheiro-chefe do projeto, e a aeronave tinha sido construída em três anos e quatro meses, embora um protótipo daquele tipo levasse cerca de cinco anos em meados da década de 1960.

Quatro dias depois, o protótipo 01 voltou ao aeroporto de São José dos Campos para o primeiro voo oficial de demonstração. Cerca de 15 mil pessoas acompanharam a cerimônia. Depois de fazê-lo voar, a equipe procurou quem pudesse fabricar o avião em série.

O Brasil precisava transformar pesquisa aeronáutica em indústria

O Brasil havia tentado criar uma indústria aeronáutica sustentável várias vezes, sem conseguir manter a produção em escala. A consolidação só ocorreu nas décadas de 1960 e 1970, quando a industrialização passou a ser política de Estado.

A resposta brasileira foi concentrar formação, pesquisa e certificação em São José dos Campos. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica formava engenheiros, enquanto o então Centro Técnico de Aeronáutica desenvolvia e testava aeronaves. Essa combinação criou o ambiente para o projeto IPD/PAR 6504, autorizado em 1965 para uma aeronave de uso civil e militar.

A necessidade era prática. A Força Aérea Brasileira precisava de um avião de transporte, e o país também precisava de uma aeronave capaz de atender rotas regionais. O Bandeirante foi concebido como bimotor turboélice para cumprir missões diferentes, de transporte de passageiros e carga a instrução e busca e salvamento.

O protótipo precisava virar uma linha de produção

Depois que o protótipo voou, Ozires Silva tentou convencer empresas privadas a fabricá-lo, mas não encontrou uma disposta a assumir o projeto. Silva então persuadiu o governo brasileiro a criar a Embraer em 19 de agosto de 1969.

A diferença entre o protótipo e a produção seriada é parecida com a passagem de uma bicicleta montada sob medida para uma oficina capaz de repetir o mesmo quadro com medidas controladas. O voo demonstrava que o desenho funcionava. A fábrica precisava repetir peças, certificar o conjunto, treinar uma cadeia de fornecedores e entregar aviões para clientes diferentes.

Os primeiros estudos de mercado mostraram que os oito lugares do EMB 100 não bastariam para as companhias regionais. A equipe de projetistas reformulou o avião e criou o EMB 110 Bandeirante, maior e com 12 lugares na versão militar. A fabricação seriada começou em 1971, quando o modelo também foi certificado pelo CTA.

A FAB recebeu o primeiro avião seriado e as exportações começaram

Em 9 de fevereiro de 1973, a Força Aérea Brasileira recebeu o primeiro EMB 110 Bandeirante. Dois meses depois, em 11 de abril, a Transbrasil recebeu o primeiro avião de uma companhia comercial. O primeiro voo comercial ocorreu em 16 de abril, ligando cidades do sul do país.

Em 1975, dois Bandeirantes foram vendidos à Força Aérea Uruguaia. Em 1977, a companhia aérea francesa Air Littoral se tornou o primeiro cliente internacional da versão civil. A homologação nos Estados Unidos veio em 18 de agosto de 1978, depois de a FAA mudar as regras para permitir aviões menores em rotas regionais.

Quase metade das 498 unidades chegou a outros países

Das 498 aeronaves fabricadas, 253 ficaram no Brasil e 245 foram vendidas para outros países, pouco menos da metade da produção. Ao todo, o Bandeirante chegou a 36 países.

A produção foi encerrada no fim de 1991. A última unidade foi entregue em 1995 ao Governo do Amazonas.

Principais pontos

  • Ozires Silva liderou no CTA o projeto IPD/PAR 6504, cujo protótipo do Bandeirante voou em São José dos Campos em 22 de outubro de 1968.
  • A criação da Embraer em 19 de agosto de 1969 permitiu reformular o avião e iniciar a fabricação seriada do EMB 110, certificado pelo CTA em 1971.
  • Foram entregues 498 Bandeirantes em 36 países, com 253 unidades para o Brasil e 245 para outros países, pouco menos da metade da produção.

Fontes

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