Ecossistema, educação e futuro da engenharia

O pó que sobra da mineração virou uma pilha capaz de ligar uma calculadora

Três estudantes do IFMS Campus Corumbá prepararam rejeito de minério de manganês, montaram uma célula e levaram o protótipo à FEBRACE 2026. A pilha apresentou 1,27 volt e fez uma calculadora funcionar; o próximo passo é concentrar o dióxido de manganês e testar a composição do material.

Publicado em 22 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Amostra de minério de manganês fotografada em exposição mineral
Foto: Thamizhpparithi Maari / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Entre 17 e 20 de março de 2026, na Universidade de São Paulo, em São Paulo, Fabio Andres Garcia Flores, Felipe Ogaya do Amaral e Julia Ramos Wiesel apresentaram um projeto que começa num lugar pouco associado a uma pilha: o rejeito de minério de ferro-manganês. Os três estudam no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, no Campus Corumbá, e levaram o protótipo à Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a FEBRACE.

A calculadora dava uma medida concreta para a aposta. A matéria-prima veio do que sobra do beneficiamento mineral, passou por preparo e entrou numa célula eletroquímica. O protótipo apresentou diferença de potencial de 1,27 volt e permitiu o funcionamento da calculadora.

O problema começa antes da tomada

A mineração movimenta empregos e materiais essenciais, mas também produz rejeitos sólidos. O projeto do IFMS parte desse cenário e procura uma destinação de valor para o minério de ferro-manganês descartado.

O dióxido de manganês é componente ativo de cátodos de vários sistemas de pilha, entre eles as pilhas alcalinas e as de zinco-carbono. Em outro estudo, um método recuperou manganês de rejeitos da Amazônia brasileira e sintetizou δ-MnO2 para baterias de íons de lítio. A equipe de Corumbá levou um rejeito mineral para dentro de uma pilha.

A pergunta ganhou uma forma prática: saber se o material descartado poderia cumprir uma função elétrica concreta.

A equipe preparou o rejeito para entrar na pilha

Os estudantes começaram com o rejeito bruto. O material passou por britagem, peneiramento em 325 mesh e lavagem, seguido de purificação. Depois, a equipe o utilizou como eletrólito em um modelo de pilha tamanho D, acrescentou solução com sais de amônio e zinco e montou a célula com grafite em pó.

A troca se parece com substituir um ingrediente sem abandonar a receita: a equipe manteve a lógica de uma pilha zinco-carbono e testou o que acontecia quando o material ligado ao manganês vinha do rejeito da mineração.

Cada etapa alterou o que chegava à célula. Britar, separar, lavar e purificar preparou o material para a solução eletrolítica e o grafite completarem a montagem. O pó ganhou um caminho para participar de uma reação e de um circuito.

O número que tirou a ideia do papel

O protótipo apresentou 1,27 volt de diferença de potencial e ligou uma calculadora. O teste transformou o rejeito preparado em uma fonte de energia de pequena escala, com um resultado que o leitor consegue observar.

A calculadora é uma referência imediata para entender a medida. Ao alimentar um aparelho simples, os estudantes deram ao material uma função elétrica visível, além da tensão registrada.

O dióxido de manganês participa da parte ativa de pilhas alcalinas e zinco-carbono. A pesquisa sobre rejeitos amazônicos também sintetizou um material de óxido de manganês para baterias de íons de lítio. Essas rotas mostram como materiais com manganês podem entrar em diferentes investigações eletroquímicas.

A feira mostrou o aprendizado por trás da pilha

A FEBRACE 2026 reuniu 297 projetos finalistas de estudantes do ensino básico e técnico de todas as regiões do país. A equipe do Campus Corumbá levou à feira um protótipo construído a partir de um problema do território onde estuda.

Os alunos identificaram o rejeito, trataram o material, montaram uma célula e verificaram a saída elétrica. Química, preparação de materiais e montagem de circuito apareceram no mesmo trabalho, com decisões técnicas feitas por Fabio, Felipe e Julia.

O valor pedagógico está no percurso completo. O número de 1,27 volt veio depois que os estudantes decidiram como preparar o rejeito e como testar a pilha.

A próxima pergunta já está definida

O próximo passo apontado pelo projeto é aumentar o teor de dióxido de manganês no rejeito e testar se novos procedimentos elevam a diferença de potencial, com análises de difração e fluorescência de raios X para verificar a purificação.

Ao preparar o rejeito e fazê-lo ligar uma calculadora, os estudantes transformaram descarte mineral em material funcional para uma pilha.

Principais pontos

  • Três estudantes do IFMS Campus Corumbá prepararam rejeito de minério de manganês para uma pilha.
  • Britagem, peneiramento, lavagem e purificação levaram o material à célula com solução eletrolítica e grafite.
  • O protótipo apresentou 1,27 V e permitiu o funcionamento de uma calculadora; o próximo passo é verificar o teor de MnO2 e a purificação.

Fontes

Voltar para o Blog