História e Legado

Uma usina na cachoeira trocou o gás pela luz elétrica em Juiz de Fora

Em 1889, o industrial mineiro Bernardo Mascarenhas inaugurou uma hidrelétrica para substituir a iluminação a gás de Juiz de Fora. A Companhia Mineira de Eletricidade ampliou depois o abastecimento às casas e à indústria, e o prédio da usina virou museu.

Publicado em 1 de novembro de 2026 · 4 min de leitura · Brazilian Engineering
Casa de força de Marmelos entre a mata e a queda d’água, com passarela sobre a água, em Juiz de Fora
Foto: Leandro de Lemos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (CC BY-SA 4.0)

A cachoeira passou a iluminar Juiz de Fora

Em 5 de setembro de 1889, a Usina Hidrelétrica Marmelos foi inaugurada junto ao rio Paraibuna, em Juiz de Fora. A geração havia começado em agosto, e a instalação entrou no serviço de iluminação pública com 180 lâmpadas incandescentes. A cidade passou a receber eletricidade de uma usina construída para aproveitar a queda d’água da cachoeira de Marmelos.

Uma concessão de gás virou um projeto elétrico

Juiz de Fora buscava uma fonte de energia mais barata, alternativa ao carvão importado e ao gás, para atender à iluminação e às necessidades industriais. A mudança exigia rever a concessão que regia a iluminação pública e particular a gás.

Por volta de 1887, Bernardo Mascarenhas se associou a Francisco Batista de Oliveira, adquiriu a concessão de iluminação de Juiz de Fora e pediu a revisão do contrato para trocar o gás por eletricidade. Em fevereiro de 1888, os dois já tinham constituído a Companhia Mineira de Eletricidade, dirigida por Mascarenhas. A companhia iniciou a construção logo depois. Mascarenhas dirigiu a companhia e foi responsável pela instalação da usina.

O movimento da água chegava às lâmpadas

A solução aproveitou a queda do rio Paraibuna na cachoeira de Marmelos. A usina era do tipo fio d’água, que usa o fluxo do rio para mover as máquinas, sem depender de um grande reservatório. O maquinário foi encomendado à firma norte-americana Max Nothman & Companhia.

O princípio era semelhante ao de uma roda d’água: a corrente do rio fazia uma máquina girar. A água em movimento girava as turbinas; o eixo dessas turbinas acionava alternadores, que convertiam o movimento em eletricidade. A rede da Companhia Mineira de Eletricidade distribuía essa energia para as lâmpadas da cidade, para instalações particulares e para motores de fábricas.

A potência passou de 250 kW a 375 kW

Dois grupos de 125 kW somavam 250 kW na configuração inicial. Em 1892, um terceiro grupo, também de 125 kW, elevou a capacidade instalada a 375 kW.

Em 1891, além da iluminação pública, já havia 700 lâmpadas para uso particular. A rede da companhia passou a atender casas e estabelecimentos que também precisavam de eletricidade.

A companhia levou força aos teares

Novas usinas de maior porte passaram a aproveitar a cachoeira de Marmelos, e a unidade pioneira deixou de operar na transição de 1896 para 1897. O abastecimento continuou com as unidades posteriores do complexo.

Em 27 de agosto de 1898, entraram em operação os dois primeiros motores elétricos do município. O maior deles acionava os 60 teares da Tecelagem Mascarenhas; o segundo movimentava a oficina de Pantaleone, Arcuri & Timponi. A eletricidade gerada pelo complexo passava a movimentar as máquinas que produziam tecidos e outros bens em Juiz de Fora.

A casa de força se tornou um museu

O prédio da usina pioneira se transformou no Museu da Usina de Marmelos, com bens e acervo cuidados pela UFJF em convênio com a Cemig.

Reinaugurado em 2019, o Museu Marmelos Zero preserva documentos, registros fotográficos e uma réplica do gerador da Westinghouse, além de objetos ligados a Bernardo Mascarenhas.

Principais pontos

  • Bernardo Mascarenhas organizou a Companhia Mineira de Eletricidade e foi responsável pela instalação da Usina Hidrelétrica de Marmelos, inaugurada em Juiz de Fora em 5 de setembro de 1889.
  • A Usina de Marmelos começou com dois grupos de 125 kW, somando 250 kW; um terceiro grupo instalado em 1892 levou a capacidade a 375 kW.
  • A unidade pioneira foi desativada na transição de 1896 para 1897, mas sua casa de força foi preservada como Museu Marmelos Zero, reinaugurado em 2019 com uma réplica do gerador e documentos históricos.

Fontes

Voltar para o Blog